sábado, 23 de outubro de 2010
O salão está deliciosamente repleto de pares dançantes! As cores dos vestidos que as mulheres, com tamanha elegância, envergam; exibem, os colorantes magníficos que pintam de cor o mármore neutro do chão, riem-se os pares, um rubor virginal em face mais modestas, ao bailarem, os saiões rodopiam, em espiral, tudo se mescla, tudo se transfigura numa só mancha de um chapitô. A melodia é vincada, forte, marca presença da subida, da ascensão, o órgão atinge a sua apoteose... todo o bailado se ergue e os tacões do sapatos das mulheres embatem contra o chão, os rostos perdem as suas formas - transfiguram-se em máscaras de prata, onde se esculpem faces clássicas, de cabelos ondulados como os de Afrodite, e o cantar que se escuta, a melodia, é uma perfeição que se assemelha aos músicos de Orfeu. Enquanto as teclas se pressionam, o tenor invade o salão e tudo se dissolve, tudo rodopia, tudo rodopia, com tamanha rapidez, que as consciências se perdem em tamanho desfocar...! O perfume é de jasmim, é de cortes imperiais chinesas... as sedas dos vestidos transportam até aos confins do Oriente os convidados, que em seus lábios entreabertos e olhos pasmados p'la beleza, beleza estrondosa que jamais contemplaram... do que a que contemplam nesta hora... é o anseio p'lo qual não se anseia; é um botão de rosa que desabrocha numa chávena de chá e é bebida nas cortes francesas durante séculos passados, são os passeios p'los jardins parisienses, nas gôndolas p'los canais de Veneza, é um fantasiar - um não ocorrer, um sonhar e pasmar... é um beijo que se esvanece cedo demais, o perfume é de sândalo, que arde como incenso sobre oiro, essa fragrância de sândalo é a mesma que a tua... todo o teu perfume invade um salão... os convidados dançam, jamais se estafam... mas eu me sento, entre caxemiras e veludos, sinto a sonolência tomar o meu corpo, que cansado, desvia seu olhar para um vítreo cálice - que começou como que, a dissolver-se, deixando somente… as pálpebras pesadas, um ruído hipnótico ressonou-lhe ao ouvido, era baixo e compassado, desfocava meu olhar, desconcertava seus lábios, o líquido rubi que enchia o cálice desfocava-se... todos os contornos se perdiam, enquanto a minha respiração se quebrava...
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olá! Adorei. fez-me viajar, para um tempo que não é o de hoje, com por exemplo, tempo em que os nossos avós nasceram, ou antes. faz lembrar os bailes, que existiam antigamente. Muito lindo mesmo, o texto. Tens jeito para escritora! quem sabe se um dia não editas um livro?
ResponderEliminarlá por seres mais nova do que eu ( imagino eu ), nada te impede de escreveres um livro. beijos